sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"Ao Amor Antigo



O amor antigo vive de si mesmo,


não de cultivo alheio ou de presença.


Nada exige nem pede. Nada espera,


mas do destino vão nega a sentença.






O amor antigo tem raízes fundas,


feitas de sofrimento e de beleza.


Por aquelas mergulha no infinito,


e por estas suplanta a natureza.






Se em toda parte o tempo desmorona


aquilo que foi grande e deslumbrante,


a antigo amor, porém, nunca fenece


e a cada dia surge mais amante.






Mais ardente, mas pobre de esperança.


Mais triste? Não. Ele venceu a dor,


e resplandece no seu canto obscuro,


tanto mais velho quanto mais amor."



Carlos Drummond de Andrade.

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